Thursday, October 18, 2007




Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não

me esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os

desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-me um

autor da minha própria história.

É atravessar desertos fora de mim, mas ser capaz de encontrar

um oásis no recôndito da alma.

É agradecer a Deus, todas as manhãs pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo. . . »

Fernando Pessoa


Ser Feliz - Fernando Pessoa


















« Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,



mas não me esqueço de que a minha vida é a maior empresa



do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.



Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos



os desafios, incompreensões e períodos de crise.



Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um



autor da própria história. É atravessar desertos fora de mim,



mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma.



É agradecer a Deus, todas as manhãs, pelo milagre da vida.



Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.



É saber falar de si mesmo.



É ter coragem para ouvir um "não".



É ter segurança para receber uma crítica, mesmo



que injusta. Pedras no caminho?



Guardo todas, um dia vou construir um castelo. . . »






Fernando Pessoa












Tuesday, October 9, 2007

QUASE - Mário Sá Carneiro




Um pouco mais de sol -- eu era brasa,

Um pouco mais de azul -- eu era além.

Para atingir, faltou-me um golpe de asa...

Se ao menos eu permanecesse aquém...


II

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído

Num grande mar enganador de espuma;

E o grande sonho despertado em bruma,

O grande sonho -- ó dor! -- quase vivido...


III

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,

Quase o princípio e o fim -- quase a expansão...

Mas na minh'alma tudo se derrama...

Entanto nada foi só ilusão!


IV

De tudo houve um começo... e tudo errou...

-- Ai a dor de ser -- quase, dor sem fim...

Eu fartei-me entre os mais, falhei em mim,

Asa que se enlaçou mas não voou...


V

Momentos de alma que, desbaratei...

Templos aonde nunca pus um altar...

Rios que perdi sem os levar ao mar...

Ânsias que foram mas que não fixei...


VI

Se me vagueio, encontro só indícios...

Ogivas para o sol -- vejo-as cerradas;

E mãos de herói, sem fé, acobardadas,

Puseram grades sobre os precipícios...


VII

Num impeto difuso de quebranto,

Tudo encetei e nada possuí...

Hoje, de mim, só resta o desencanto

Das coisas que beijei mas não vivi...


VIII

Um pouco mais de sol -- e fora brasa,

Um pouco mais de azul -- e fora além.

Para atingir faltou-me um golpe de asa...

Se ao menos eu permanecesse aquém...








O VENTO - Sophia de Mello Breyner Andresen





O vento sopra contra
As janelas fechadas

Na planície imensa
Na planície absorta
Na planície que está morta,


E os cabelos do ar ondulam loucos
Tão compridos que dão a volta ao mundo.

Sento-me ao lado das coisas
E bordo toda a noite a minha vida


Aqueles dias tecidos
Que tinham um ar de fantasia
Quando vieram brincar dentro de mim.


E o vento contra as janelas
Faz-me pensar que eu talvez seja um pássaro.



Tuesday, September 18, 2007

Animais errantes ou talvez NÃO - Débora Lopes | Advogada

De olhos postos no chão, ou num horizonte vazio, vagueiam pelas ruas animais a que a lei chama de "errantes". Uns nunca tiveram dono, nasceram na rua e na rua sobrevivem dia após dia, correndo riscos de atropelo, de contraírem doenças, de maus tratos, da fome e da sede, do frio, de serem levados para um canil municipal e aí abatidos por não serem reclamados e serem errantes.
Outros, foram abandonados com o maior desapego do mundo de que só o ser humano é capaz. A melhor sorte que poderão ter é serem adoptados por alguém, desta vez com sensibilidade suficiente que permita a integração do animal no seio de uma família, a sua constituição como membro, capaz de fazer rir e chorar, capaz de acalmar, animar, de fazer companhia, de ser fiel e trocar afectos.
São essas criaturas de olhos doces que evidenciam a alma, digam lá o que disserem, que a nossa lei não protege, ou protege precariamente, de uma forma tão frágil e embrionária que se limita a aplicar coimas e a classificar com contra-ordenações atitudes que deveriam estar tipificadas como crimes.
Mas quando os princípios estão invertidos na própria sociedade, é difícil, senão mesmo impossível, a imposição da lei.
Na verdade, apenas são consideradas crimes as agressões contra animais que têm dono. Pois nestes casos é o dono quem pode apresentar uma queixa pela prática do crime de dano.
É que juridicamente os animais são coisas, coisas móveis, que podem ser objecto de compra, venda, troca, que podem ser "danificados" e ficarem à mercê do seu dono quanto à vontade de apresentação ou não de uma queixa-crime. Sim, porque afinal o dono é que é a vítima, nunca o animal, ou será que coisa diferente alguma vez nos passou pela cabeça?!
De qualquer forma, as situações de maus tratos, agressões ou abandono dos animais podem e devem ser participadas a uma autoridade policial (PSP, GNR, Polícia Municipal ou outra), ou à própria autoridade veterinária local que deverá agir em conformidade com a lei.
Qualquer pessoa poderá efectuar tal participação e deverá certificar-se de que
houve uma intervenção da autoridade naquele caso concreto.
A evolução nesta matéria, como em tantas outras, depende de evolução moral
de cada um de nós e mais do que a lei, tem aqui aplicação a célebre frase de Gandhi, segundo a qual:
« a grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser julgados
pelo modo como os seus animais são tratados »