Friday, October 19, 2007

Exaltação ao valor do insigne poeta João de Barros pelo seu amigo, o escritor Ferreira de Castro




« No verão um grande poeta vinha contemplar o Atlântico de sobre estas

arribas. Dedicara a vida a unir ainda mais a alma de Portugal ao Brasil,

através do mar que ele amava desde menino na sua obra de esplandecente

beleza cantava a liberdade e fraternidade e as virtualidades do homem e o

futuro redimido de velhas servidões, chamava-se João de Barros e foi

também um preclaro cidadão, desses que honram eminentemente a

espécie humana.

Ferreira de Castro »



JOÃO DE BARROS

1881 - 1960


Poeta do que não morre,

Aventureiro dos cimos,

Navegador entre abismos,

Descansa, repousa em paz ...

teu sulco não se desfaz

Num frágil fluir de espumas ...



P.S. - Perpetuando a memória do poeta João de Barros

e do escritor, seu amigo Ferreira de Castro, existe

um monumento alusivo na Praia de Stª. Cruz no

Concelho de Torres Vedras - Portugal.










A Menina Afegã de Steve McCurry


Thursday, October 18, 2007




Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não

me esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os

desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-me um

autor da minha própria história.

É atravessar desertos fora de mim, mas ser capaz de encontrar

um oásis no recôndito da alma.

É agradecer a Deus, todas as manhãs pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo. . . »

Fernando Pessoa


Ser Feliz - Fernando Pessoa


















« Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,



mas não me esqueço de que a minha vida é a maior empresa



do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.



Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos



os desafios, incompreensões e períodos de crise.



Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um



autor da própria história. É atravessar desertos fora de mim,



mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma.



É agradecer a Deus, todas as manhãs, pelo milagre da vida.



Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.



É saber falar de si mesmo.



É ter coragem para ouvir um "não".



É ter segurança para receber uma crítica, mesmo



que injusta. Pedras no caminho?



Guardo todas, um dia vou construir um castelo. . . »






Fernando Pessoa












Tuesday, October 9, 2007

QUASE - Mário Sá Carneiro




Um pouco mais de sol -- eu era brasa,

Um pouco mais de azul -- eu era além.

Para atingir, faltou-me um golpe de asa...

Se ao menos eu permanecesse aquém...


II

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído

Num grande mar enganador de espuma;

E o grande sonho despertado em bruma,

O grande sonho -- ó dor! -- quase vivido...


III

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,

Quase o princípio e o fim -- quase a expansão...

Mas na minh'alma tudo se derrama...

Entanto nada foi só ilusão!


IV

De tudo houve um começo... e tudo errou...

-- Ai a dor de ser -- quase, dor sem fim...

Eu fartei-me entre os mais, falhei em mim,

Asa que se enlaçou mas não voou...


V

Momentos de alma que, desbaratei...

Templos aonde nunca pus um altar...

Rios que perdi sem os levar ao mar...

Ânsias que foram mas que não fixei...


VI

Se me vagueio, encontro só indícios...

Ogivas para o sol -- vejo-as cerradas;

E mãos de herói, sem fé, acobardadas,

Puseram grades sobre os precipícios...


VII

Num impeto difuso de quebranto,

Tudo encetei e nada possuí...

Hoje, de mim, só resta o desencanto

Das coisas que beijei mas não vivi...


VIII

Um pouco mais de sol -- e fora brasa,

Um pouco mais de azul -- e fora além.

Para atingir faltou-me um golpe de asa...

Se ao menos eu permanecesse aquém...








O VENTO - Sophia de Mello Breyner Andresen





O vento sopra contra
As janelas fechadas

Na planície imensa
Na planície absorta
Na planície que está morta,


E os cabelos do ar ondulam loucos
Tão compridos que dão a volta ao mundo.

Sento-me ao lado das coisas
E bordo toda a noite a minha vida


Aqueles dias tecidos
Que tinham um ar de fantasia
Quando vieram brincar dentro de mim.


E o vento contra as janelas
Faz-me pensar que eu talvez seja um pássaro.